O céu de Roma estava acinzentado e a chuva caía. Vane estava sentada ao lado de Zac observando as gotas baterem nas janelas do carro que os levava para a casa que dividiriam por... semanas, meses? Certamente não anos, ela pensou, afundando os dentes no lábio inferior, sentindo o pânico corroendo a garganta como ácido enquanto imaginava o que estava à espera.
Oh, Deus!, como eu posso ter permitido que isso acontecesse?
- Você está muito quieta, mia bella. Está cansada?
- Um pouco.
Não era verdade. Estava doente de paixão, totalmente despreparada para essa descoberta de seus verdadeiros sentimentos por ele. E sem saber como lidar com eles.
- Fiz algumas mudanças na casa. Espero que você goste. - Ele fez uma pausa. - Uma pena eu não estar lá quando você tiver formado sua opinião. Vou ter de ir para o escritório.
- Você vai me deixar sozinha no nosso primeiro dia? - A pergunta escapou-lhe antes que pudesse evitar. Oh, Deus!, ela pensou horrorizada.
- Infelizmente é inevitável. Tenho uma reunião e outros assuntos urgentes para resolver.
Sua amante entre eles?
Ela não ousou perguntar em voz alta.
- Claro. Entendo perfeitamente.
- Mas, acredite, não é meu desejo deixar você. Quando o carro encostou na imponente entrada da casa, Vane viu Gaspare segurando um enorme guarda-chuva, o sorriso caloroso.
- Boas-vindas, eccelenza e vossignoria - ele cumprimentou-os. - Estamos tão contentes em ver vocês novamente!
Vane conseguiu sorrir.
- Grazie.
Vane percebeu Zac pegando o braço dela e quis puxar, mas foi impossível porque Gaspare estava segurando o guarda-chuva protetoramente sobre os dois enquanto eles subiam as escadas e entravam na casa.
- Gostaria de um café, eccelenza?
- A condessa está cansada da viagem - disse Zac suavemente. - Acho que preferimos ir para nossos aposentos. Venha, cara.
Com o rosto queimando, ela permitiu ser conduzida pelas escadas até a suíte master. Depois de entrar, ele trancou a porta.
- O que você está fazendo? - ela perguntou quando ele começou a tirar a camisa. - Você tem reunião. Você mesmo disse.
Ele balançou os ombros.
- Tudo isso pode esperar. Porque eu tenho um compromisso muito mais urgente com você, mia cara sposa.
Zac tirou o resto das roupas sem pressa e esticou-se na cama.
- Venha aqui, minha amada - ele ordenou com ternura.
Quando Vane acordou já estava no fim da tarde, e Zac já havia ido há horas. Tinha uma vaga lembrança da mão dele acariciando seu rosto e dos lábios tocando seus cabelos antes dele deixá-la.
Vane afundou a cabeça no travesseiro quando se lembrou de como tinha se soltado dos braços dele apesar dos protestos que ensaiara.
E saber que o amava fazia com que fosse ainda mais difícil e doloroso reconhecer que a atração dele por ela era apenas física. Que nunca haveria mais do que sexo no casamento deles. E que qualquer outro tipo de satisfação lhe seria negada.
Para Zackary, amor não era uma opção. E ela teria de aceitar e não esperar por mais nada.
De repente, percebeu que havia movimento no quarto e sentou-se na cama, assustada. Uma jovem que nunca vira antes estava indo em direção ao closet, carregando as roupas usadas de Vane.
- Un momento - Vane disse apressada. - Quem é você, por favor? E para onde está indo com isso?
A jovem virou-se defensivamente.
- Sou Apollonia. Estou aqui para servi-la, vosignoria.
Oh, Deus!, pensou.
- Mas eu não pedi ninguém, Apollonia.
Apollonia apertou os lábios e quase sacudiu os ombros.
- Lo stesso, eccomi, signora. Talvez possa lhe preparar um banho?
Vane hesitou, tentada a dizer para a jovem que era perfeitamente capaz de encher a própria banheira. Especialmente quando envolvia apenas ligar as torneiras em vez de carregar panelas de água quente, ela pensou, com dor no coração graças às lembranças.
Mas a empregada estava apenas fazendo seu trabalho, ela lembrou. E até que tivesse a oportunidade de falar com Zackary que não precisava daquilo, deveria deixar a moça fazê-lo.
Por outro lado, não desejava sair da cama nua na frente de uma estranha.
Ela disse:
- Tudo bem Apollonia. Um banho seria bom. E talvez você pudesse me trazer um roupão.
A jovem não correspondeu ao sorriso.
- Vai querer se vestir para o jantar, signora! O que devo lhe trazer?
- Não tenho muita escolha. A maior parte de minhas roupas está ma Inglaterra. - Ela acrescentou: - O melhor possível para esta noite.
O banho foi maravilhoso, e quando ela voltou para o quarto encontrou calcinha, uma saia e um suéter branco de lã fina sobre a cama. A empregada não estava em lugar algum onde pudesse ser vista.
Depois de se vestir, Vane olhou-se por um longo tempo. Arrumada, ela pensou, mas nada espetacular. E agora tinha de descer, sabendo que a casa inteira já deveria saber como o conde tinha celebrado a volta de sua esposa para casa.
Mas não havia sorrisos ou olhares curiosos da parte de ninguém, muito menos da de Gaspare, que a esperava para abrir a porta do salotto para ela.
- Gaspare. - Ela o deteve quando ele estava prestes a deixar a sala. – A jovem, Apollonia... Ela é nova?
- Si, signora. Mas as recomendações dela são boas.
- Grazie, Gaspare. Só estava curiosa.
Estava servindo-se de café quando escutou a campainha e logo depois Gaspare retornou muito mais animado.
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E mais logo se houver alguns comentários pode ser que ponha outro capitulo!!!